Bovespa fecha em queda de 0,96%, no menor nível do ano 27/01/2011
- Folha Online
A aversão ao risco ainda deu o tom dos negócios na Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) nesta quinta-feira. O mercado brasileiro que tem se destacado nos últimos dias pelo "descolamento" com sua referência principal: a Bolsa de Nova York. A agenda econômica foi bastante carregada, com vários indicadores nos EUA.
Os vários balanços corporativos (dos EUA) divulgados hoje mostraram empresas superando as expectativas para os lucros, porém por uma margem bem estreita. No front doméstico, permanece as preocupações com a alta do preços, e a perspectiva de juros ainda mais altos para combater essa inflação.
O índice Ibovespa, o principal "termômetro" dos negócios da Bolsa paulista, desvalorizou 0,96% no fechamento, aos 68.050 pontos, o menor nível deste ano. O giro financeiro foi de R$ 6,43 bilhões. Nos EUA, o índice Dow Jones, da Bolsa de Nova York, sobe 0,14%, pouco antes do encerramento das operações.
PUBLICIDADE
Mais uma vez, o indicador americano oscila acima dos 12 mil pontos. Essa pontuação, que sintetiza o nível de preços das ações mais negociadas, tem valor psicológico e "histórico": a última vez em que a Bolsa de Nova York bateu esse nível foi em junho de 2008, poucos meses antes da quebra do banco Lehman Brothers --o início da pior fase da recente crise mundial.
No caso da Bolsa brasileira, os investidores mostram desconforto com a possibilidade de que o governo tome mais providências para conter a alta do preços.
"A ata do Copom deu a entender que o governo deve apertar ainda mais o combate à inflação, inclusive, subindo ainda mais os juros. Não por acaso, hoje algumas das ações que mais caíram foram das construtoras, que vão sentir mais essas medidas", comenta José Antônio Mattos, da mesa de operações da corretora Amaril Franklin.
As ações ordinárias da Cyrella cederam 3,26% no pregão, enquanto os papéis da Rossi Residencial perderam 2,92%. O setor bancário, já bastante castigado na semana passada, também não passou incólume hoje: os ativos do grupo Santander Brasil caíram 0,40%.
O dólar comercial foi cotado por R$ 1,679, em um avanço de 0,47%. A taxa de risco-país marca 173 pontos, número 6,79% acima da pontuação anterior.
Entre as principais notícias do dia, o Departamento de Comércio dos EUA informou que os pedidos de bens duráveis ao setor manufatureiro tiveram um contração de 2,5% em dezembro, ante projeções de um incremento de 1,5% (consenso em Wall Street). Já o Departamento do Trabalho reportou que o total de pedidos iniciais de seguro-desemprego atingiu a cifra de 454 mil até a semana passada, número bem acima das projeções do setor financeiro (410 mil).
A agência Standard&Poor's rebaixou a nota de risco do Japão de "AA" para "AA-", ainda no topo da classificação 'grau de investimento', restrita para países (ou empresas) com chances mínimas de calote. A S&P apontou o crescente deficit público do país. No mesmo dia, o governo japonês reportou um forte superavit comercial (US$ 8,78 bilhões) em dezembro, com uma expansão de 13% do volume exportado, o que reforçou a percepção de que a economia japonesa deva sair da estagnação 'em breve'.
No front doméstico, o IBGE apontou uma taxa de desemprego de 5,3% em dezembro, a menor taxa desde o início da série histórica (2002). Na média anual, a taxa ficou em 6,7%, também na mais baixa variação da pesquisa do instituto.
O Banco Central mostrou preocupação com as pressões inflacionárias para este ano, ressaltando que 'o conjunto de informações disponíveis sugere que a aceleração de preços observada em 2010, processo liderado pelos preços livres, pode mostrar alguma persistência, em parte porque a inflação dos serviços segue em patamar elevado'.
A avaliação faz parte da ata do Copom (Comitê de Política Monetária), relativa à reunião da semana passada, quando a taxa básica de juros do país foi ajustada de 10,75% ao ano para 11,25%.
EMPRESAS
A Procter & Gamble, maior fabricante mundial de bens de consumo, anunciou um lucro líquido de US$ 3,33 bilhões para o exercício de 2010, ou US$ 1,11 por ação, ante US$ 4,66 bilhões, ou US$ 1,49 por ação, no ano passado. Economistas do setor financeiro projetavam um ganho de US$ 1,10 por ação.
E a gigante do setor de entretenimento e comunicações, a Time Warner, revelou um lucro líquido de US$ 392 milhões, ou US$ 1,09 por ação, para o quarto trimestre. Um ano antes, a companhia havia registrado um ganho de US$ 322 milhões, ou US$ 0,91 por ação. Analistas de Wall Street estimavam um lucro de US$ 1,01 por ação.
Já a Colgate-Palmolive (produtos de higiene pessoal) comunicou que seu lucro líquido atingiu US$ 624 milhões no último trimestre do ano passado, ou US$ 1,24 por ação, abaixo dos US$ 631 milhões, ou US$ 1,21 por ação, apurados no exercício de 2009, nos últimos três meses. Economistas do setor financeiro previam um ganho de US$ 1,23 por ação para o período.