A força-tarefa da Operação Lava-Jato investiga se a segunda cobertura usada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no edifÃcio Green Hill, em São Bernardo do Campo, foi comprada com dinheiro da Odebrecht.
Em 20 de dezembro de 2010, Glaucos da Costamarques recebeu R$ 800 mil da DAG Construtora, investigada por ser usada pela Odebrecht para negócios ilÃcitos.
Os investigadores suspeitam que a operação de aluguel tenha sido simulada para dar caráter formal ao uso do apartamento por Lula.
Localizado pelo GLOBO ontem, Costamarques disse que não se pronunciaria sobre o tema.
GOVERNO FEDERAL ALUGAVA IMÓVEL
Lula comprou o apartamento 122, onde mora, em 2000. Durante o perÃodo em que foi presidente, o governo federal alugou o imóvel vizinho, de número 121, para ser usado por agentes que cuidavam de sua segurança.
Os valores são menores que os pagos anteriormente pela Presidência. Em 2010, último ano de Lula como presidente, o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) repassou R$ 54,6 mil à antiga proprietária, Elenice Silva Campos.
Apesar de ser o dono de fato do apartamento, Costamarques ainda não pôde registrá-lo formalmente em cartório devido a pendências judiciais.
Ele adquiriu o direito de herança da famÃlia Campos, antiga proprietária do imóvel, e aparece como interessado no processo de inventário e partilha na Justiça.
Os advogados dele no caso são Roberto Teixeira e Cristiano Zanin Martins, que advogam para Lula na Lava-Jato.
Em março deste ano (quando foi divulgada pela primeira vez a informação de que o apartamento 121 pertencia a Glaucos), Paulo Okamotto, presidente do Instituto Lula, alegou que houve a preocupação de se procurar uma pessoa conhecida para ocupar o imóvel, pois “ser vizinho de um polÃtico sempre causa transtornoâ€. E disse que foi achada “uma que queria apenas investirâ€.
Essa viagem de Lula não tinha ligação oficial com os negócios da empreiteira. No trecho dos Estados Unidos, o ex-presidente tinha agendado um congresso de trabalhadores.
Quando O GLOBO revelou o caso, em abril de 2015, a empreiteira apresentou versões contraditórias.
A Lava-Jato considerou esse valor compatÃvel com a cifra de R$ 12,4 milhões registrada em uma planilha encontrada em e-mail de executivos da Odebrecht, que, segundo as investigações, registrava propinas direcionadas ao PT.
A DAG pagou, ainda, pelo menos R$ 1,6 milhão ao lobista Fernando Baiano, acusado de ser operador de propinas para dirigentes do PMDB, em 2009 e 2010, de acordo com registros da Receita Federal.
O GLOBO perguntou aos advogados de Lula se ele sabia que o apartamento de Costamarques pode ter sido comprado com dinheiro da Odebrecht, mas não teve resposta.
Quando os repasses de Lula a Costamarques vieram à tona, em março deste ano, eles informaram que Lula sempre foi “locatário do imóvel, pagando aluguel ao novo proprietário ao valor de mercadoâ€.