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O OUTRO LADO DA NOTÍCIA

Planalto quer ajuda dos governadores para negociar a recriação da CPMF
29/08/2015 - Vera Magalhães - Painel da Folha de S.Paulo

Dividindo a conta

Com a resistência dos presidentes da Câmara e do Senado e a recusa de Michel Temer de trabalhar pela volta da CPMF, o Planalto aposta na situação crítica das finanças estaduais para fazer avançar no Congresso o projeto que recria a contribuição.

Mas apesar de algumas manifestações favoráveis, governadores, e não só de oposição, se recusam a pagar a fatura política da negociação.


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“Se a ajuda deles for semelhante à que deram no ajuste fiscal, não avança um milímetro”, diz um ministro.

Solo seco

De um cacique peemedebista sobre a recriação do tributo:

“A exumação da CPMF pode enterrar Dilma de vez no volume morto”.

Dobrar a meta

Aliados de Dilma veem no caso da CPMF a certeza de um duplo desgaste para o governo: o de ter anunciado a ideia sem combinar e o do provável recuo num futuro próximo.

Rota de fuga

“Dilma esqueceu uma regra básica: antes de entrar no recinto, veja se ele tem uma porta de saída”, diz um ministro descrente no avanço da proposta.

O pulso

Interlocutores de Joaquim Levy dizem que o titular da Fazenda reconhece que a falta de negociação e o prazo apertado entre a decisão de recriar o tributo e o envio do projeto ao Congresso dificultam sua tramitação.

UTI

Segundo colegas, Levy afirma que não havia outra saída diante da queda da arrecadação de R$ 150 bilhões em relação à previsão.

Puxa a outra

Os empresários presentes ao jantar com Temer na quinta-feira, em São Paulo, foram unânimes em dizer que a crise política agrava a econômica.

Sem luz

“Estamos indo em direção ao caos. Precisamos de uma medida política forte. Não vejo a gente caminhando para um caminho coerente”, discursou o presidente da Fiesp, Paulo Skaf.

Sobremesa

Nenhum empresário falou sobre a Operação Lava Jato. Coube ao vice-presidente incluir a investigação do escândalo como fator de agravamento do quadro.

30 em 1

Benjamin Steinbruch, presidente da CSN, disse que Dilma “apresenta 30 propostas, mas não consegue aprovar uma”. E emendou: “Não sei se algum país já teve a congruência de tantos fatores negativos. Precisamos de um alento para ontem”.

Faltou combinar

A declaração de Aécio Neves de que Eduardo Cunha deve deixar a presidência da Câmara caso se torne réu na Lava Jato causou desconforto na bancada do PSDB na Casa.

Desagravo

Deputados chegaram a procurar o peemedebista para dizer que o senador iria se explicar publicamente, o que não ocorreu.

No muro

Aliados de Cunha acionaram tucanos para saber se a posição do partido havia mudado. Ouviram que não havia decisão nesse sentido e que a fala de Aécio -- que preside o partido -- tinha sido um “escorregão”.

Radar

De um usuário do Twitter ao postar foto do “Lula inflado”, boneco do ex-presidente vestido de presidiário, na ponte Estaiada da marginal Pinheiros:

“Valeu, Haddad! A 50 km/h dá para tirar foto do seu chefe inflado”.

Hermano

José Mujica, ex-presidente do Uruguai, almoçou nesta sexta em São Bernardo com o prefeito Luiz Marinho e o ex-ministro Gilberto Carvalho. Pregou a “união e o fortalecimento dos partidos de esquerda” na crise.

Esperança

As defesas dos convocados a prestar depoimento na CPI da Petrobras alimentavam a esperança de que o juiz Sérgio Moro decidisse que eles não precisariam comparecer à comissão.

Passe livre

Moro havia dado sinais de que colocaria obstáculos à ida dos investigados a Brasília, pelo custo da operação. Mas como os integrantes da CPI vão a Curitiba, o juiz não interferirá.

TIROTEIO

"A CPMF é um remédio amargo, mas sem ele, com o desequilíbrio das contas públicas, a sociedade pagará um preço ainda maior.

Jairo Jorge (PT), prefeito de Canoas (RS), sobre a proposta do governo Dilma de recriar o imposto sobre transações bancárias.

CONTRAPONTO

Ligeirinho

O líder do governo na Câmara, deputado José Guimarães (PT-CE), concedeu entrevista coletiva, na quinta-feira, sobre as propostas de partidos aliados para a Agenda Brasil de Renan Calheiros (PMDB-AL). Ao seu lado, Chico Alencar (PSOL-RJ) esperava a conversa acabar para apresentar a lista de deputados que pedem a saída de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) da presidência da Câmara.

Antes de encerrar a entrevista, Guimarães fez elogios ao PSOL. Alencar rebateu com bom-humor:

–Já que é assim, assine a lista do Cunha!

Guimarães saiu em disparada, deixando o ex-colega de partido sem resposta.


  

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